Editorial

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Ao leitor


 Por trás do nosso cafezinho ou do pão de queijo mineiro existem anos de estudos e o esforço de vários pesquisadores para garantir a qualidade e a competitividade desses produtos, sem perder o gostinho da tradição. A Ciência, a tecnologia e a inovação estão presentes em todos os momentos de nossa vida, mesmo que, às vezes, isso não seja tão óbvio. Um exemplo é o cultivo de flores na região do Campo das Vertentes, uma atividade praticada há anos que, com a ajuda de centros de pesquisa, está ganhando o mercado nacional e internacional.
 A Minas Faz Ciência já havia publicado uma reportagem sobre os estudos nessa área em sua edição nº25. Esses trabalhos evoluíram e culminaram na implantação, pela Epamig, de um Núcleo Tecnológico de Floricultura dentro da Fazenda Experimental Risoleta Neves (FERN), em São João del Rei. O órgão pioneiro visa a estimular o segmento, tanto na produção de pesquisas quanto na difusão de tecnologias, proporcionando novas alternativas para a geração de emprego e renda. No local, são realizadas pesquisas sobre diversas espécies, entre elas flores tropicais, típicas de região quente e de aspecto exótico. O resultado é que, hoje, Minas Gerais é hoje o segundo maior Estado em área plantada para cultivo de flores no Brasil.
 Também é destaque dessa edição um trabalho realizado na Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) que investiga o potencial energético do lixo domiciliar produzido em Belo Horizonte. Um estudo preliminar já mostrou que esses resíduos são capazes de gerar, em média, 3.500 kcal/kg de energia diariamente. Isso equivale a 9,6 milhões de kWh/dia, o suficiente para alimentar 30 milhões de lâmpadas de 100 watts durante seis horas. Dividido em etapas que incluem um estudo socioeconômico da população da capital mineira e a determinação do poder calorífico do lixo, o trabalho promete, também, garantir uma destinação mais adequada a esses resíduos, que hoje são descartados em aterros sanitários, aterros controlados e lixões.
 Mulheres e homens, não deixem de conferir, ainda, reportagem sobre uma condição que afeta 5% da população feminina mundial: o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual ou TDPM, uma forma grave da já conhecida TPM. Nesse caso, os sintomas comuns da TPM, como mau-humor, irritabilidade ou depressão, são significativamente acentuados, trazendo desequilíbrios para a vida pessoal, familiar e profissional das pacientes. Duas médicas estudaram a ação de uma nova droga para o tratamento do transtorno, com resultados preliminares promissores. Enquanto o uso desse novo medicamento aguarda para ser incorporado á rotina médica, elas ensinam que a melhor forma de combater os sintomas e a discriminação é a divulgação do tema e o auto-conhecimento.
 Em tempos de gripe suína, vale conhecer o trabalho de um grupo de pesquisa mineiro, que colocou o Estado no centro dos debates sobre formas de contenção e prevenção da doença. Desenvolvido pelo Centro de Pesquisas René Rachou e pelo Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, o estudo promete fornecer respostas para a compreensão do agente infeccioso e a produção de uma vacina eficaz. A base é a técnica conhecida como genética reversa, que permite mapear e manipular o vírus, atenuando ou potencializando algumas de suas características. A técnica é utilizada de forma pioneira pelo grupo e motivou o convite para reunião com o Ministério da Saúde, a fim de discutir a intensificação e aceleração das pesquisas sobre a influenza no país.
 Por fim, um convite. Em outubro, será realizado em Belo Horizonte o X Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico com o tema “Jornalismo Científico e Desenvolvimento Sustentável”. O evento, que acontece a cada dois anos, já é tradicional da área e, este ano, contará com o apoio da FAPEMIG. Essa será uma oportunidade valiosa para conhecer os profissionais envolvidos com a cobertura da área de C&T, conhecer os projetos que estão sendo desenvolvidos em outros estados e discutir questões releva